Juiz de Caratinga/MG autoriza fornecimento de canabidiol a adolescente

ISSN 2526-1681

O Estado de Minas Gerais e o Município de Caratinga devem fornecer, mensalmente, três tubos de 10 gramas do medicamento de uso contínuo denominado canabidiol (princípio ativo da maconha) a um adolescente diagnosticado com esclerose tuberosa. A decisão é do juiz da 2ª Vara Criminal e da Infância e Juventude da Comarca de Caratinga, Marco Antônio de Oliveira Roberto.

A esclerose tuberosa é uma doença genética caracterizada pelo crescimento anormal de tumores benignos em diversos órgãos do corpo.

Ao acolher o pedido, o juiz considerou que os fármacos indicados para o tratamento da doença já foram testados e não obtiveram sucesso.

O magistrado considerou ainda a hipossuficiência do núcleo familiar e a prioridade conferida pela Constituição Federal à criança e ao adolescente no atendimento às demandas de saúde.

A mãe do adolescente apresentou comprovação acerca de sua hipossuficiência financeira e afirmou que não há medicamento alternativo para o tratamento eficaz da doença. Requereu, ainda, a restituição dos valores gastos com medicamentos adquiridos após o ajuizamento da ação.

Decisão

Na decisão, o magistrado destacou que o diagnóstico de esclerose tuberosa está registrado nos autos do processo, constando informações de que o adolescente já fez uso de outros medicamentos, como vigabatrina, valproato de sódio, topiramato e corticoide, sem resultados satisfatórios, demonstrando ser o paciente resistente ao tratamento convencional.

Citou ainda relatório no qual consta que o paciente apresenta eletroencefalograma muito alterado, sendo vítima de crises convulsivas. O relatório pontuou que há exame neurológico evolutivo realizado aos 6 anos de idade, que indicava idade mental de 3 anos e 6 meses.

Atualmente, o paciente tem utilizado como tratamento para a patologia a associação de vigabatrina e canabidiol, obtendo bons resultados: as convulsões ocorriam três vezes por semana e passaram a ocorrer uma vez apenas, e o exame neurológico evolutivo constatou que ele tem hoje a idade mental de 5 anos.

O magistrado registrou, citando o relatório, que o referido medicamento foi ministrado a outros três pacientes com a mesma patologia do adolescente e a mais de 20 crianças com convulsões de difícil controle, obtendo ótimos resultados.

Para determinar o fornecimento do remédio pelo Estado, considerou que ficou comprovada a renda líquida mensal de R$ 2,6 mil auferida pela mãe do adolescente. Sendo de aproximadamente R$ 3 mil o custo mensal do medicamento, é natural concluir que o gasto com o remédio comprometeria a subsistência do núcleo familiar, afirmou.

Entendimento

O juiz Marco Antônio de Oliveira citou ainda entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a existência de registro do medicamento em renomadas agências de regulação no exterior, bem como o pedido de registro do medicamento no Brasil, além da inexistência de substituto terapêutico com registro no Brasil, permitem deferir a concessão do fármaco.

O pedido de restituição dos valores dispensados com o tratamento foi negado, já que a parte autora não apresentou os documentos necessários.

O juiz determinou ainda que a mãe do adolescente apresente receita médica atualizada a cada três meses. Decorrido o prazo de recurso, os autos devem ser remetidos à Segunda Instância para reexame necessário (o julgamento por um Tribunal é necessário no caso de sentenças proferidas contra os estados e municípios).

Fonte: Assessoria de Comunicação Institucional – Ascom
Tribunal de Justiça de Minas Gerais – TJMG